Psoríase e Microbiota Intestinal?

Psoríase, doença inflamatória imunomediada crônica da pele, é caracterizada por eritema e escamas induzidas por hiperplasia epidérmica, com maturação regenerativa, angiogênese na derme e infiltração inflamatória de linfócitos. Sua patogênese não é totalmente compreendida, mas sabemos que as células Th17 e as citocinas  IL-17, IL-22 e IL-23, desempenham papel crítico no desenvolvimento da doença1.

A microbiota intestinal cumpre papel fundamental na homeostase do hospedeiro; na resposta imune, e influencia a concentração de células Th17. Porém, a função da microbiota intestinal na psoríase ainda não está clara2.

Para compreender essa relação, estudo avaliou a composição da microbiota intestinal de 28 pacientes com e sem psoríase através do sequenciamento genético do microbioma (técnica 16S rRNA). Foi encontrada alteração na diversidade total da microbiota entre pacientes com psoríase e controles saudáveis.

A nível de filo,  encontrou-se diminuição da abundância de Verrucomicrobia e Tenericutes em pacientes com psoríase. A nível de classe e ordem, a abundância de Mollicutes e Verrucomicrobiae, bem como Verrucomicrobiaes e RF39 foi reduzida em pacientes com psoríase.

No nível de família, a abundância relativa de Verrucomicrobiaceae e S24-7 diminuiu, enquanto a abundância relativa de Bacteroidaceae e Enterococcaceae aumentou na psoríase. No nível de gênero, observou-se que Akkermansia foi menos abundante, enquanto a abundância de Enterococcus e Bacteroides aumentou em pacientes com psoríase. A abundância de Akkermansia muciniphila mostrou-se reduzida, e a de Clostridium citroniae aumentada no grupo psoríase em comparação com controles saudáveis2.

Em condições normais, a população de A. muciniphila compõe aproximadamente 3% – 5% das espécies intestinais em um cólon adulto e mais de 1% da microbiota total nas fezes, o que sugere ser esta bactéria uma das mais abundantes na comunidade microbiana. Em concentrações adequadas, ela contribui para manter a função de barreira celular epitelial intestinal, e é considerada indicador de boa saúde do hospedeiro2-4.

É evidente que a composição e função da microbiota intestinal estão significativamente alteradas em pacientes com psoríase. Ainda não sabemos se existe relação causal. Novos estudos  sobre a relação doença e microbiota poderão fornecer novos insights sobre a patogênese da psoríase e trazer mais evidências para a prevenção e tratamento desta alteração crônica da pele2,5.

Por: Beatriz Ferreira

Referências:

  1. DENG Y., CHANG C., LU Q. The inflammatory response in psoriasis: a comprehensive review. Clin. Rev. Allergy Immunol, v. 50, n.3, p. 377-89, jun., 2016.
  2. LIRONG T., SHUANG Z., WU Z., LISHA W., JIE L., MINXUE S., et al. The Akkermansia muciniphila is a gut microbiota signature in psoriasis. Experimental Dermatology, v.27, p.144-149, oct., 2018.
  3. OTTMAN N., HUUSKONEN L., REUNANEN J., BOEREN S., KLIEVINK J., SMIDT H. et al. Characterization of outer membrane proteome of Akkermansia muciniphila reveals sets of novel proteins exposed to the human intestine. Front Microbiol, v.26, n.7, p. 1157, jul., 2016.
  4. GÓMEZ-GALLEGO C., POHL S., SALMINEN S., DE VOS W.M., KNEIFEL W. Akkermansia muciniphila: a novel functional microbe with probiotic properties. Benef. Microbes, v. 7, n.4, p.571-84, sep., 2016.
  5. LINSHENG H., RENYUAN G., NING Y., YEFEI Z., YANGFENG D., HUANLONG Q. Dysbiosis of gut microbiota was closely associated with psoriasis. Sci China Life Sci, p. 1-9, sep., 2018.

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