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O uso de probióticos no combate à DHGNA

Alterações na microbiota intestinal (disbiose) têm sido relevantes na
patogênese de doenças do fígado. Esta relação ainda não é bem
compreendida, mas, provavelmente, a disfunção da barreira mucosa intestinal
(“leaky gut”) e o aumento da translocação bacteriana pelo eixo intestinal-
hepático tem importância no desenvolvimento e progressão da doença
hepática através de múltiplas interações com o sistema imunológico do
hospedeiro e outros tipos de células.

Doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) é causa importante de
doença hepática em todo o mundo, em adultos e crianças, e sua incidência,
estimada em 24%, vem crescendo em decorrência da pandemia de
obesidade atual.

Existem importantes alterações na composição da microbiota intestinal, que se
associam ao desenvolvimento e progressão de DHGNA Isto propicia o uso de
probióticos cujos efeitos benéficos ocorrem em vários estudos experimentais.
Estudo clínico recente, duplo cego randomizado, investigou os efeitos do
tratamento com probióticos ou placebo (12 semanas) na área de gordura
visceral (AGV) e na fração de gordura intra-hepática (GIH) na DHGNA de 68
pacientes obesos com DHGNA avaliados por ressonância magnética. O grupo
probiótico recebeu uma mistura de 6 espécies probióticas (L. acidophilus, L.
rhamnosus, L. paracasei, Pediococcus pentosaceus, B. lactis e B. breve)
comumente usados ​​em estudos de obesidade e doenças relacionadas ao
fígado gorduroso.

Os pacientes do grupo probiótico apresentaram perda de peso corporal, IMC,
massa gorda total, percentual de gordura corporal e grau de gordura visceral
em relação aos indivíduos do grupo placebo, após as 12 semanas de
intervenção.

A fração média de gordura intra-hepática também foi reduzida após 12
semanas de tratamento no grupo probiótico em comparação com o valor basal,
mas não foi reduzida no grupo placebo. Pacientes do grupo probiótico também
experimentaram significativa redução de triglicérides quando comparado ao
grupo placebo (p = 0,0033).

Somente o grupo probiótico teve aumento de bactérias probióticas
administradas nas amostras fecais (L. acidophilus, L. rhamnosus, P.
pentosaceus, B. lactis e B. breve), exceto L. paracasei.
Adicionalmente, o grupo probiótico apresentou aumento de Eubacterium,
Fusicatenibacter dorea, Oscillibacter e Faecalibacterium (pacientes com
diminuição do IMC), mudanças que foram associadas com diminuição da
fração de gordura hepática.

A melhor compreensão da composição da microbiota intestinal por meio de
sequenciamento genético e seus componentes nas doenças do fígado pode
fornecer uma visão mais completa desses distúrbios e também formar novas
modalidades de diagnóstico, prognóstico e sugerir terapias baseadas na microbiota.

Referências
1 Zobair Younossi, et al. Global burden of NAFLD and NASH: trends,
predictions, risk factors and prevention. Nature Reviews Gastroenterology &
Hepatology volume 15, pages 11–20 (2018)
2 Ahn SB, et al. Randomized, Double-blind, Placebo-controlled Study of a
Multispecies Probiotic Mixture in Nonalcoholic Fatty Liver Disease. Sci Rep.
2019 Apr 5;9(1):5688.
3 Tilg H. et al. Gut microbiome and liver diseases. Gut. 2016 Dec;65(12):2035-
2044. doi: 10.1136/gutjnl-2016-312729. Epub 2016 Oct 8.
4 Peter Christopher Konturek, et al. Gut–Liver Axis: How Do Gut Bacteria
Influence the Liver? Med Sci (Basel). 2018 Sep; 6(3): 79.

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