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Microbiota Intestinal, carne vermelha e risco cardiovascular

O elevado consumo de carne vermelha é frequentemente associado ao risco cardiovascular. Isso porque, além de ser rica em gordura saturada, a ingestão de carne vermelha favorece o aumento de TMAO no sangue, molécula produzida pelas bactérias intestinais da microbiota, de acordo com estudo publicado no European Heart Journal.

Algumas bactérias do intestino têm capacidade de degradar três substâncias (colina, fosfatidilcolina e carnitina) encontradas nos ovos e na carne vermelha. O produto dessa degradação é então transportado para o fígado, onde é transformado em N-óxido de trimetilamina (TMAO),  molécula altamente pró-inflamatória que acelera o desenvolvimento da aterosclerose, fator de risco conhecido para doenças cardiovasculares. 

Para avaliar esta hipótese, 113 voluntários receberam dietas com o mesmo valor calórico contendo um quarto de proteínas de três fontes diferentes: carne vermelha, carne branca (aves) ou alimentos vegetais (leguminosas, nozes, sementes). Cada participante consumiu as três dietas durante períodos de quatro semanas, separados por períodos de “washout” com duração de 2 a 7 semanas, durante os quais ingeriram dieta normal. Os níveis de TMAO no sangue e na urina foram medidos antes e depois da ingestão de cada uma das três dietas estudadas.


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Após um mês de dieta, os níveis de TMAO no sangue foram três vezes maiores no grupo “carne vermelha” do que nos outros dois grupos. Esse aumento foi causado pela maior conversão de TMAO pelas bactérias intestinais que metabolizam a carnitina presente na carne vermelha. Chama a atenção que o aumento de TMAO é completamente reversível e desaparece rapidamente quando o consumo de carne vermelha é substituído por carne branca ou proteínas vegetais.

Modular a dieta, ao reduzir o consumo de carne vermelha, pode ser uma maneira simples de preservar a microbiota e evitar risco cardiovascular.

Wang Z, Bergeron N, Levison BS et al. Impact of chronic dietary red meat, white meat, or non-meat protein on trimethylamine N-oxide metabolism and renal excretion in healthy men and women. European Heart Journal (2018) 00, 1–13 doi:10.1093/eurheartj/ehy799


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