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Microbioma intestinal está alterado em pacientes com artrite reumatoide precoce.

Artrite reumatoide (AR) é uma doença autoimune crônica, caracterizada por inflamação sinovial dolorosa, erosões ósseas, ativação imune e pode contar com presença na circulação de autoanticorpos.  AR afeta quase 1% da população, particularmente do sexo feminino, e é muito debilitante, com importante impacto na qualidade de vida de jovens e idosos.

A microbiota, particularmente a microbiota intestinal (MI), difere entre indivíduos com AR e saudáveis, o que poderia implicar em sua patogênese. Observa-se redução de riqueza e diversidade microbiana e elevados percentuais de Prevotella copri (bactéria potencialmente pró-inflamatória)

Yunju Jeong et al. Investigaram o perfil da microbiota intestinal e as funções microbianas de 55 mulheres com AR na fase pré-clínica ou já clinicamente aparente em comparação com mulheres sadias.

Os resultados revelaram disbiose com diminuição de diversidade, diferenças significativas na distribuição microbiana a nível de filo e gênero entre as pacientes com AR precoce e indivíduos saudáveis. O Filo Bacteroidetes teve maior presença em pacientes com AR precoce, enquanto Actinobactéria, e o gênero Collinsella, foi enriquecido em indivíduos saudáveis.

Quanto a análise funcional, verificou-se que genes bacterianos relacionados à síntese de lipopolissacarídeo (LPS), endotoxina bacteriana gram-negativa, foram enriquecidos somente em pacientes com AR clinicamente aparente.  O enriquecimento deste gene, também se correlacionou positivamente com o índice DAS28, que aponta maior grau de atividade da doença em AR.

Adicionalmente a esta investigação, outros estudos apontaram que em pacientes com AR não tratados, a espécie Faecalibacterium prausnitzii (potencialmente anti-inflamatória) mostra-se diminuída, o que sugere que pacientes portadores de AR possuem microbiota intestinal de perfil mais pró-inflamatório. Estas diferenças na composição e funções da microbiota intestinal entre indivíduos saudáveis ​​e pacientes com AR precoce destacam a importância de conhecer a MI nos estágios iniciais da AR.

A microbiota intestinal compõe cerca de 80% dos microorganismos que do microbioma humano, e tem intensa atividade funcional. A MI pode ser modificada por meio de probióticos, prebióticos, dieta e até transplante de microbiota fecal. Neste sentido conhecer a composição da microbiota intestinal, por meio de seu sequenciamento genético, em indivíduos portadores de artrite reumatoide levanta possibilidade de opções de tratamentos personalizados até agora pouco exploradas.

 

Yunju Jeong, Ji-Won Kim, Hyun Ju You, et al. Gut Microbial Composition and Function Are Altered in Patients with Early Rheumatoid Arthritis. J. Clin. Med. 2019, 8(5), 693; https://doi.org/10.3390/jcm8050693

Horta-Baas G, Romero-Figueroa MDS, Montiel-Jarquín AJ, et al. Intestinal Dysbiosis and Rheumatoid Arthritis: A Link between Gut Microbiota and the Pathogenesis of Rheumatoid Arthritis. J Immunol Res. 2017;2017:4835189. doi: 10.1155/2017/4835189. Epub 2017 Aug 30.

Wells PM, Williams FMK, Matey-Hernandez ML, et al.’RA and the microbiome: do host genetic factors provide the link? J Autoimmun. 2019 May;99:104-115. doi: 10.1016/j.jaut.2019.02.004. Epub 2019 Mar 5.

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