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Vamos falar de microbioma

Na imagem, você vê as vilosidades do intestino povoadas de bactérias (em tons de azul e amarelo)
Na imagem, você vê as vilosidades do intestino povoadas de bactérias (em tons de azul e amarelo)

O organismo humano é um condomínio vivo. Pele, boca, olhos, aparelho digestivo, trato genital-urinário… — enfim, ele inteiro é habitado dezenas de trilhões de micro-organismos. Alguns desses moradores pagam o abrigo e o alimento que recebem na moeda da saúde. Outros não ajudam, mas também não atrapalham. Outros, ainda, vivem conosco uma relação de mutualismo ou simbiose: nós, como hospedeiros, e eles, como hóspedes, somos co-dependentes e trocamos alguns favores.

Há, porém, os micro-organismos que prejudicam demais o bem-estar, sendo cada vez mais relacionados em estudos sérios a condições como obesidade, diabetes, problemas de pele, alergias, transtornos de humor, autismo, doenças reumáticas, problemas autoimunes e muito mais. Esse elo, investigado por milhares de cientistas do mundo inteiro, representa uma nova fronteira na prevenção e no tratamento de diversos males. Vale lembrar que, de acordo com os trabalhos mais recentes, existem aproximadamente 30 trilhões de células humanas em nosso organismo e outros 39 trilhões de células só de bactérias, que são capazes de interagir com os sistemas digestivo, nervoso central, imunológico e endócrino.

Tudo é uma questão de equilíbrio, de saber que populações estão dominando o ambiente do nosso corpo e procurar meios de estabelecer a primazia das que nos fazem bem. Nesse contexto, o teste de sequenciamento genético — como o que a Bioma4me é a primeira empresa a trazer para o Brasil — , representa uma ferramenta e tanto para pacientes e profissionais de saúde. Ele revela de modo acurado milhares de bactérias que habitam determinado indivíduo, ao ler o seu DNA. Assim, aponta tendências e serve de parâmetro para averiguar a eficiência de determinados ajustes no estilo de vida, como mudanças na forma de se alimentar.

Mas, como tudo é extremamente recente, com diversos achados sendo publicados nos mais renomados periódicos a todo instante, a partir de agora você poderá receber esta newsletter. Nós, da Bioma4me, queremos que fique cada vez mais por dentro de uma das mais palpitantes áreas da ciência por meio de uma leitura rápida e quinzenal.

Para começo de história

O conhecimento da microbiota humana acompanha a trajetória das ciências biológicas desde o século XVI, quando o holandês Antony van Leeuwenhoek (1632-1723) enxergou através de um microscópio que ele mesmo construiu o que chamou de “animáculos” na água da chuva. Dois séculos depois, o médico patologista alemão Robert Kock (1843-1910) notou que havia uma relação entre micro-organismos e doenças e, a partir daí, esses seres ganharam uma tremenda má fama, sem qualquer distinção entre eles — o que agora é visto como algo totalmente injusto.

Sem dúvida, o surgimento dos antibióticos em meados do século 20 — drogas capazes de dizimar bactérias — , deflagraram uma revolução. Doenças infecciosas que até então eram sentenças de morte, como a tuberculose, tornaram-se curáveis. Mas hoje a ciência sabe que nem toda população de micro-organismos deve ser eliminada. Ao contrário. Por isso, uma das primeiras lições das descobertas recentes sobre a microbiota é usar de modo ainda mais criterioso esse tipo de medicamento. Na verdade, existem diversas boas lições.

Microbiota ou microbioma?

Quando falamos em microbiota, o termo designa todas as comunidades de micróbios que habitam os nossos tecidos. São bactérias, fungos, protozoários e outros. A maioria dos residentes no corpo humano, diga-se, é de bactérias anaeróbicas. E é no final do tubo digestório, no intestino grosso, que elas encontram o seu ambiente mais favorável.

Não à toa, a estimativa é de que o cólon guarde cerca de 70% dos integrantes da microbiota humana. Faz sentido: essa é uma área imensa que, se esticada, equivaleria a uma quadra de tênis com uns 250 metros quadrados. E, ali, além de espaço, as bactérias encontram um pH neutro e um fluxo constante de nutrientes.

Já a expressão microbioma designa o conjunto desses micro-organismos e dos seus genes — que, sim, podem interagir com o nosso próprio genoma. O microbioma mais estudado até o momento é o do intestino. E ele é tão particular quanto a sua impressão digital.

Saiba que quatro ou cinco bactérias, encontradas ali, estão presentes em toda a humanidade. O restante, tanto em matéria de densidade quanto em diversidade de populações, varia de acordo com uma série de fatores. Eles passam por predisposição genética, estilo de vida e exposição no dia a dia à contaminação — uma invasão geralmente pacífica que deveria começar no momento do parto, quando o bebê entraria em contato com os micróbios da vagina da mãe. Claro, aqui estamos considerando o parto normal.

A biodiversidade dessa comunidade microscópica cresce ligeiro du-rante o período de aleitamento materno. Pesquisas indicam que há mais de 700 espécies de bactérias só no colostro. Ao final da adolescência, o microbioma que foi se formando na infância tende a se estabilizar. Mas, claro, uma série hábitos, incluindo alimentação, podem modificar — para o bem e para o mal — sua composição.

O papel do microbioma intestinal

Na verdade, o microbioma de todo organismo, da cabeça aos pés, merece a atenção da comunidade científica, exigindo uma atualização constante de conhecimentos. O do intestino, porém, é de longe aquele sobre o qual as pesquisas reúnem mais informações.

Existem 150 vezes mais genes nesse microbioma do que em nossas células. E eles expressam diversas proteínas capazes de afetar o funcionamento do organismo, desempenhando funções importantes. Um dos papéis mais célebres é o de participar da digestão: boa parte das fibras e dos carboidratos não é processada sem elas. Esses nutrientes precisam ser justamente fermentados pelas bactérias. Elas também podem otimizar seu aproveitamento, fazendo o organismo extrair mais energia.

As bactérias intestinais ainda estão envolvidas na síntese de certos ácidos graxos de cadeia curta e de vitaminas, no metabolismo de gorduras, no controle do sistema imunológico. E não param de surgir evidências de que, de algum modo, se comunicam com o sistema nervoso central, interferindo no seu funcionamento.

Portanto, fique certo: conhecer o microbioma, em especial do intestino, é algo fundamental para entender melhor o que está acontecendo com a saúde de um indivíduo.

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