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Microbioma e Câncer de Mama [Especial Outubro Rosa]

Câncer de mama e microbioma

O câncer de mama é a neoplasia mais prevalente entre as mulheres, e é uma das principais causas de morte nesta população em todo o mundo. Vários fatores de risco para câncer de mama foram descritos, no entanto, a maioria das mulheres recém-diagnosticadas não possui fatores de risco previsíveis.

A disbiose, composição alterada do microbioma, também pode ocorrer no câncer de mama, e a composição do microbioma intestinal e deste sítio primário parece desempenhar um papel importante na etiologia da doença.

O microbioma intestinal secreta metabólitos bioativos (estrogênio reativado, ácidos graxos de cadeia curta, metabólitos de aminoácidos e ácidos biliares secundários) que podem modular o câncer de mama, atuando no metabolismo mitocondrial e outros eventos moleculares do câncer, pois parecem ser constituintes importantes do microambiente tumoral.

Embora a maior comunidade microbiana do corpo humano resida no trato gastrointestinal, ao discutir a disbiose no câncer de mama, o microbioma mamário também deve ser levado em consideração.

Essa comunidade bacteriana, ainda que mal caracterizada, encontrada nos ductos mamários, também exibe alterações em sua composição em casos de câncer.


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No tecido mamário, o fila das proteobactérias estava aumentado nos tecidos tumorais e a abundância de Actinobacteria aumentou nos tecidos adjacentes não cancerosos.
Ainda no tecido mamário de mulheres saudáveis e mulheres com câncer de mama em nível de família e gêneros verificou-se maior abundância relativa de Bacillus, Enterobacteriaceae e Staphylococcus em pacientes com câncer de mama, enquanto mulheres saudáveis apresentavam maiores níveis de Lactococccus e Streptococcus. Mycobacterium fortuitum e Mycobacterium phlei são espécies diferencialmente abundantes nas amostras de tumor.

O microbioma também pode ter efeitos indiretos no câncer de mama, pois a composição alterada do microbioma também está associada à obesidade e aos aumentos no índice de massa corporal (IMC) que são fatores de risco para câncer de mama. Existem outros fatores que levam à disbiose, como envelhecimento e doenças metabólicas (ex. diabetes tipo II, síndrome dos ovários policísticos, doença hepática gordurosa não alcoólica etc.) o que pode explicar a associação de eventos de câncer a essas doenças.

Embora estes achados sejam iniciais, disbiose e câncer de mama envolvem uma rede molecular complexa e profunda, que deve ser explorada para o desenvolvimento de novas terapias complementares aos tratamentos no combate do câncer.

 

REFERÊNCIAS

• Kovács, T.; Mikó, E.; Vida, A.; Sebő, É.; Toth, J.; Csonka, T.; Boratkó, A.; Ujlaki, G.; Lente, G.; Kovács, P.; et al. Cadaverine, a metabolite of the microbiome, reduces breast cancer aggressiveness through trace amino acid receptors. Sci. Rep. 2019, 9, 1300.

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• Meng, S.; Chen, B.; Yang, J.; Wang, J.; Zhu, D.; Meng, Q.; Zhang, L. Study of Microbiomes in Aseptically Collected Samples of Human Breast Tissue Using Needle Biopsy and the Potential Role of in situ Tissue Microbiomes for Promoting Malignancy. Front. Oncol. 2018, 8, 318.

• Robinson, K.M.; Crabtree, J.; Mattick, J.S.; Anderson, K.E.; Dunning Hotopp, J.C. Distinguishing potential bacteria-tumor associations from contamination in a secondary data analysis of public cancer genome sequence data. Microbiome 2017.

• Chu, H.; Duan, Y.; Yang, L.; Schnabl, B. Small metabolites, possible big changes: A microbiota-centered view of non-alcoholic fatty liver disease. Gut 2019, 68, 359–370.• Maruvada, P.; Leone, V.; Kaplan, L.M.; Chang, E.B. The Human Microbiome and Obesity: Moving beyond Associations. Cell Host Microbe. 2017, 22, 589–599.


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