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Quando as bactérias vão ao treino

Ninguém questiona que fazer exercício é fundamental para a saúde. E, há menos de dois anos, cientistas do departamento de fisiologia integrativa da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, levantaram a seguinte bola: boa parte dos célebres benefícios de um estilo de vida ativo se deve aos trilhões de bactérias que habitam o nosso intestino.

Cientistas da Universidade do Colorado demonstraram que os benefícios da atividade física se devem aos trilhões de bactérias que habitam o nosso intestino

Eles demonstraram que a atividade física, quando incorporada ao dia a dia desde cedo, seria capaz de alterar a comunidade bacteriana intestinal de uma maneira muito mais, digamos, assertiva. Não que ela não possa ser afetada positivamente pelos treinos  anos depois… Mas, em uma idade mais precoce, ela promoveria modificações benéficas e duradouras no padrão de microbioma que cada indivíduo traz de berço. Esse novo equilíbrio entre as bactérias, promovido por um estilo de vida ativo cultivado desde a infância e a adolescência, seria responsável pela maior longevidade e pela menor incidência de problemas de memória, por exemplo, entre os praticantes de atividade física.

O desempenho começa no intestino

No caso dos atletas profissionais, já se sabe que o microbioma faz toda a diferença. Afinal, o  esportista de alta perfomance precisa de um metabolismo funcionando direito, com um sistema imunológico bem modulado e uma digestão muito eficaz, capaz de otimizar o aporte de nutrientes. E há vários trabalhos científicos apontando esse elo.

Em 2014, por exemplo, um time multidisciplinar da University College Cork, na Irlanda, realizou testes de sequenciamento genético para rastrear o microbioma  intestinal dos integrantes da seleção nacional de rúgbi — testes, diga-se, semelhantes ao que a Bioma4me é a primeira a trazer para o Brasil.

Os pesquisadores também acompanharam um grupo controle, ou seja, indivíduos do mesmo sexo, idade e peso dos jogadores. Todos os participantes, claro, preencheram ainda um questionário para avaliar sua alimentação. E, como era de se esperar, a diferença entre os dois grupos foi enorme.

Apesar dos treinos extenuantes, os atletas tinham menos marcadores inflamatórios correndo nas veias e uma diversidade muito maior de bactérias no intestino. Mas, para não dizer que o esporte fez isso sozinho, na comparação entre os jogadores apenas, aqueles que seguiam com mais afinco o acompanhamento do nutricionista tinham mais tipos diferentes de bactérias benéficas. E, ao que tudo indica, quanto mais diversificada o microbioma, melhor o desempenho no esporte, o que só reforça: seu rastreamento é uma ferramenta importante para atletas amadores e profissionais.

O microbioma de cada esporte

Em agosto do ano passado, durante o encontro anual da American Chemical Society,  nos Estados Unidos, o bioquímico americano  Jonathan Scheiman, da Universidade Harvard, foi categórico: “Em vez de examinarmos apenas os genes de jovens atletas para descobrir um próximo Michael Jordan, deveríamos olhar também para o seu microbioma intestinal”, diz ele. Suas pesquisas provam que as bactérias do intestino afetam a forma como atletas obtêm energia, facilitando ou não a quebra de carboidratos e proteínas.  Sem contar que estão envolvidas nos processos inflamatórios e nas habilidades que dependem do sistema neurológico, como o reflexo. Assim, o desempenho nas quadras pode ser auxiliado com o exame de sequenciamento do microbioma.

Em 2015, Scheiman e seus colegas fizeram o rastreamento genético do microbioma de vinte atletas participantes da maratona de Boston, uma semana antes e uma semana depois da corrida. Nos que tiveram melhor resultado — e não deve ser coincidência —, os cientistas notaram um pico de determinados micróbios capazes de quebrar as moléculas de ácido lático liberadas durante o exercício intenso. E, como sabem, o ácido lático é a substância que leva a musculatura à fadiga.

Agora, os pesquisadores de Harvard examinam atletas americanos de diversas modalidades, que já se preparam para as Olimpíadas do Japão em 2020. Eles suspeitam fortemente  que o perfil do microbioma possa mudar conforme as exigências de cada esporte. Para os maratonistas, por exemplo, as tais bactérias que quebram o ácido lático e, com isso, retardam a chegada da fadiga são fundamentais. No entanto, usar mais oxigênio para correr pode ser ainda mais importante para um velocista de 100 metros — e, sim, as bactérias no intestino podem ajudar até nisso. Seu auxílio, aliás, pode colocar muita gente no pódio.

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