fbpx

Aleitamento materno direto versus indireto (bombeado) – diferenças importantes na microbiota

O leite materno já foi considerado estéril pela comunidade científica, mas estudos recentes apontam que ele abriga comunidade bacteriana complexa que contribui para estabelecer a microbiota intestinal infantil 1.

As espécies bacterianas presentes no leite podem ter duas origens: translocação entero-mamária (microbiota intestinal materna) e inoculação retrógrada pelo lactente (microbiota oral)2. O colostro ter uma comunidade microbiana antes mesmo da primeira alimentação infantil apoia a hipótese da via entero-mamária, enquanto que a semelhança da microbiota bucal infantil com o leite materno, suporta a via retrógrada. É plausível que ambas as vias estejam contribuindo para o conteúdo bacteriano do leite humano 3.

Dependendo da origem das bactérias, diferentes fatores contribuem para a modulação desses micro-organismos do leite. Obesidade e dieta, por exemplo, são fatores que podem influenciar a microbiota intestinal materna, enquanto que tipo de parto, alimentação complementar e amamentação (direta versus indireta – bombeado e/ou na mamadeira) poderiam, potencialmente, alterar as bactérias derivadas da cavidade oral do lactente. Outros componentes do leite, como oligossacarídeos, ácidos graxos, hormônios e anticorpos também poderiam modular o microambiente do leite 4-6.

Moossavi e colaboradores 7 verificaram a associação entre fatores maternos e infantis com a composição da microbiota do leite humano. Os pesquisadores realizaram o sequenciamento genético por meio da técnica 16S rRNA em amostras de leite de 393 mães saudáveis da coorte CHILD, ​​três a quatro meses após o parto.

Foram detectados 18 filos únicos, com destaque para Proteobacteria, Firmicutes, Actinobacteria e Bacteroidetes. Proteobactérias e Firmicutes apresentaram abundâncias inversamente correlacionadas. Entre os gêneros mais abundantes estiveram Streptococcus, Ralstonia e Staphylococcus 7.

Amamentação indireta, – oferta de pelo menos uma porção de leite bombeado no período de 2 semanas -, mostrou menor diversidade α , maior diversidade β e menor riqueza bacteriana 7.

O estudo também observou que Gemellaceae, Vogesella e Nocardioides apareceram em maior abundância relativa com amamentação direta, enquanto que Enterobacteriaceae e Pseudomonas foram, relativamente, mais abundantes com amamentação indireta. Adiciona-se que aleitamento materno direto favorece a riqueza de microrganismos do filo Actinobacteria e Veillonellaceae (Oriundos da microbiota oral). De seu lado, o aleitamento materno indireto favoreceu riqueza em Stenotrophomonas e Pseudomonadaceae (potencial patógeno oportunista). Esta observação sugere que amamentação direta facilita a aquisição de microbiota bucal, enquanto que amamentação indireta propicia enriquecimento por bactérias ambientais (associadas à bomba de leite)7.

As Bifidobacterium spp. do leite materno mostraram-se presentes em 48% dos BEBES que receberam amamentação direta versus 30% dos amamentados indiretamente. Isso poderia ter implicações importantes para o desenvolvimento imunológico infantil e predisposição para a asma 7.

A microbiota do leite tem influencia sobre o desenvolvimento e boa colonização da microbiota intestinal infantil, no entanto novas explorações científicas são necessária para que sejam desenvolvidas estratégias para a prevenção precoce de condições crônicas 7.

 

Referências:

  1. Parigi, S.M.; Eldh, M.; Larssen, P.; et al. Breast milk and solid food shaping intestinal immunity. Immunol. 2015; 6, 415.
  2. McGuire, M.K.; McGuire, M.A. Human milk: mother nature’s prototypical probiotic food? Nutr. 2015; 6, 112–123.
  3. Damaceno, Q.S.; Souza, J.P.; Nicoli, J.R.; et al. Evaluation of potential probiotics isolated from human milk and colostrum. Probiotics Antimicrob. Proteins. 2017; 9, 371–379.
  4. Collado, M.C.; Isolauri, E.; Laitinen, K.; Salminen, S. Distinct composition of gut microbiota during pregnancy in overweight and normalweight women. J. Clin. Nutr. 2008; 88, 894–899.
  5. Wu, G.D.; Chen, J.; Hoffmann, C.; et al. Linking longterm dietary patterns with gut microbial enterotypes. 2011; 334, 105–108.
  6. Laforest-Lapointe, I.; Arrieta, M.C. Patterns of early-life gut microbial colonization during human immune development: an ecological perspective. Immunol. 2017; 8, 788.
  7. Moossavi, S.; Sepehri, S.; Robertson, B. et al. Composition and variation of the human milk microbiota are Influenced by maternal and early-life factors. Cell Host & Microbe. 2019; 25, 324-335.

Leave a comment