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05 Coisas que eu não sabia que era disbiose

05 Coisas que eu não sabia que era disbiose

Com o avanço dos estudos em sequenciamento genético, alterações na composição da microbiota intestinal vem sendo cada vez mais associadas à condições de doença. Ao promover o aumento da permeabilidade e inflamação intestinal, a presença de disbiose pode desencadear sintomas e doenças inflamatórias intestinais e extra-intestinais. Algumas destas condições são descritas a seguir:

– Alergias alimentares: Pesquisas recentes apontam para o papel da microbiota intestinal na patogênese e curso da alergia alimentar. Estudos de coorte em humanos mostraram que diferenças na microbiota intestinal podem estar associadas à sensibilização a alérgenos alimentares. Em crianças com alergia alimentar (por exemplo alergia ao leite ou alergia ao ovo) foi observado microbiota intestinal distinta a de crianças saudáveis, com enriquecimento de Lachnospiraceae e Ruminococcaceae em crianças com alergias (1). A variação na microbiota intestinal também tem sido associada a diferenças na história natural da alergia alimentar. Entre os bebês com alergia à proteína do leite de vaca (APLV), aqueles cujo processo alérgico foi resolvido posteriormente aos oito anos de idade apresentaram microbiota intestinal distinta no início da vida, em comparação com aqueles com persistência do APLV (2).

– Alergias respiratórias: Estudos no “eixo intestino-pulmão”, apontam uma relação direta da microbiota intestinal, e suas alterações, com alergias e doenças respiratórias. É possível que a microbiota intestinal possa influenciar diretamente a resposta imune do pulmão e composição do microbioma pulmonar. A disbiose intestinal é capaz de promover alterações na microbioma pulmonar desde a primeira infância e tem sido associada ao desenvolvimento de atopia e sibilância recorrente na infância, com disfunção microbiana subjacente associada a asma infantil. Em adultos, estudos na área encontraram redução da diversidade e alteração na composição da microbiota associada à obstrução ao fluxo aéreo e à hiperresponsividade brônquica (3).


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– Constipação: De origem multifatorial, associada à padrão de dieta, hábitos de vida, genética e exercício, estudos crescentes apontam uma relação direta da constipação com a disbiose. Em pacientes com constipação, estudos observaram enriquecimento de Clostridiales, incluindo gêneros como Oscillospira, Megasphaera, negativamente correlacionadas com o número de evacuações. Em contrapartida, observa-se nesses pacientes níveis reduzidos de Ruminococcus spp. e menor diversidade alfa e beta, embora tenhamos detectado uma correlação negativa entre a frequência de defecação (4).

– Doenças de pele, intestinais, auto imunes: A microbiota intestinal tem capacidade de influenciar processos de inflamação e estresse oxidativo, com mecanismos pelos quais induz ou impede que doenças cutâneas, intestinais e auto-imune apareçam e progridam. No “eixo intestino-pele”, a presença de disbiose é amplamente descrita, em que se demonstrou distorções na microbiota associados a doenças inflamatórias e autoimunes, incluindo dermatite atópica e vitiligo. Dentre as doenças de pele, os estudos apontam associam da Helicobacter pylori e uso prévio de antibióticos fortemente associado às condições dermatológicas como dermatite atópica e rosácea, ao modular a microbiota resultando em melhora dos parâmetros clínicos da doença (5).

– Humor: A diversidade da microbiota intestinal e disbiose tem sido fortemente associada a comportamentos relacionados ao humor, incluindo transtorno depressivo maior (TDM). Essa associação decorre do sistema de comunicação bidirecional entre o intestino e o cérebro, denominado “eixo intestino cérebro” mediado por vias neuroimunes, neuroendócrinas e sensoriais neurais sensoriais. Nesse eixo bidirecional, interações entre os peptídeos da microbiota e o intestino têm grande importância na regulação da sinalização intestinal e cerebral, bem como distúrbios relacionados ao estresse também podem alterar a barreira intestinal, desencadeando um “intestino permeável”, o que poderia permitir uma resposta pró-inflamatória impulsionada pela microbiota através da translocação de certos produtos bacterianos do intestino (6).

 

Referências:

  1. Zhao, W., Ho, H. E. & Bunyavanich, S. The gut microbiome in food allergy. Ann. Allergy Asthma Immunol. 122, 276-282 (2019).
  2. Bunyavanich, S. Food allergy: could the gut microbiota hold the key?. Nat Rev Gastroenterol Hepatol 16, 201–202 (2019).
  3. Chung KF. Airway microbial dysbiosis in asthmatic patients: A target for prevention and treatment? J Allergy Clin Immunol. 2017 Apr;139(4):1071-1081.
  4. Kubota M, Ito K, Tomimoto K et al. Lactobacillus reuteri DSM 17938 and Magnesium Oxide in Children with Functional Chronic Constipation: A Double-Blind and Randomized Clinical Trial. Nutrients 2020, 12(1), 225.
  5. Chang HW, Yan D, Singh R. Alteration of the cutaneous microbiome in psoriasis and potential role in Th17 polarization. Microbiome. 2018 Sep 5;6(1):154.
  6. Lach G, Schellekens H, Dinan TG, Cryan JF. Anxiety, Depression, and the Microbiome: A Role for Gut Peptides. Neurotherapeutics. 2018 Jan;15(1):36-59.

 


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